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sábado, 14 de julho de 2012

Quase Normal


Teatro lotado e ansiedade para assistir Quase Normal, que teve ontem estreia para convidados no Teatro Clara Nunes. Graças à uma promoção do Mr. Zieg fui contemplado com um par de ingressos para este dia.

Eu não tinha muita intimidade com Next to Normal. Tratei de procurar alguns vídeos e ouvir a trilha sonora da montagem original. Fiquei apaixonado. Uma composição genial.

O espetáculo é uma necessidade pública. Toca o assunto dos conflitos da psique humana, que doem na alma e que podem levar à loucura. Loucura. A linha tênue que podemos ultrapassar por qualquer descuido com a gente mesmo. Diana Goodman vive esse conflito. Sofre esse distúrbio.

Eu tenho depressão. Estar face a face com aquela mulher, com a sua família, com os seus dilemas e seus desejos trouxe, inevitavelmente, reflexos de minha própria vida. A depressão (e talvez a loucura) é a negação do aqui. O pânico do agora. O presente dói. Então se refugia no passado, num hedonismo do que virá ou em delírios.

Mas o espetáculo nos toca sem machucar. A montagem distancia o suficiente para não entrarmos na onda de Diana. Ela não é a única ali. Há o seu marido, Daniel, como um equilibrista de pratos, usando dos métodos que lhe convém para manter algum tipo de paz. A filha, Natalie, ferida, artista (a arte é um refúgio, não?), buscando o seu próprio espaço num mundo de renegações. Henry, um alívio, uma luz, para Natalie, e para o público. E Gabriel. O filho preferido, primogênito, um anjo, mas da vida ou da morte? Há ainda os psiquiatras de Diana representando a medicina, a psicologia e a indústria farmacêutica.

As versões em português de Tadeu Aguiar variam. Há momentos em que não há métrica e percebe-se uma tentativa de manter a ideia original da letra em inglês. Mas a grande parte das versões está bem adaptada e criativa, mantendo o sumo da canção. Tadeu Aguiar também dirigiu e consegue manter um belo trabalho de atores, mas talvez ainda não tenha o ritmo certo da encenação. Acredito que em poucas performances isso se acerte e veremos o palco em chamas!

Ah, os atores. Vanessa Gerbelli merece todos os aplausos. Um trabalho belíssimo. Ela domina a montanha-russa de emoções que é a sua personagem. E canta com todas as sutilezas que uma pessoa bipolar emprega às palavras. Há dor, há sonho, há explosão, há afago. Cristiano Gualda emociona com o seu marido devotado mas hesitante, que não enfrentou os próprios demônios mas espera tirar a esposa de seu inferno pessoal. Eu só o tinha assistido em Beatles e em Oui oui, e fiquei muito feliz de vê-lo nesta peça de alto teor dramático. Bravo!

Olavo Cavalheiro com uma voz e um olhar penetrantes. Não sei quantos anos ele tem, mas tenho certeza de que terá uma carreira longa e brilhante. Carolina Futuro personaliza a carência de todos os personagens mas ainda tem esperança, pelo menos no próprio destino. Sua Natalie por vezes repete gestos e expressões, acho que pode encontrar mais nuances para enriquecer a cena.

Victor Maia traz uma cor que os outros personagens não emanam e nos dá esperança de que algum sorriso ingênuo, sem mágoas, pode surgir na casa dessa família. Em alguns momentos essa cor destoa demais da palheta dos Goodman. Mas pode ser proposital e eu é que estou sendo chato. E também posso não ter compreendido o André Dias. Eu adoro ele! Mas não consegui diferenciar os seus Dr. Finne e Dr. Madden.

Figurinos e cenários em perfeita harmonia com a cena, bravo. O som falhou em alguns momentos, mas por sorte não atrapalhou o espetáculo. A iluminação foi muito simples, de poucos tons. Eu senti falta de alguma coisa ali. Mas é um ponto de vista muito pessoal.

Bravo aos músicos e à toda a equipe por trás do espetáculo. É um número enorme de profissionais que trabalharam duro e essa dedicação fica clara quando o público levanta e aplaude de pé.

Chorei, refleti, saí de lá tão mexido que nem parei para dar um abraço na equipe do Mr. Zieg, a quem agradeço novamente pelo trabalho que o site faz. Parabéns.

domingo, 13 de novembro de 2011

Judy - O Fim do Arco-íris



Para mim, assistir um espetáculo com o selo Möeller e Botelho é garantia de que coisa boa vem pela frente. A qualidade do trabalho dessa dupla e sua equipe é de levantar o chapéu. Mas, eles nunca caem no fácil. A cada novo projeto eles mostram que estão prontos para a ousadia. Eu me pegava pensando: Avenida Q e seu politicamente incorreto vai assustar o público?; Gypsy, com referências tão americanas vai dar certo aqui?; José Mayer para o protagonista de Um Violinista no Telhado? E no fim cada peça era um sucesso maior que o outro.

Quando eles anunciaram a montagem de Judy - O Fim do Arco-íris no Brasil eu fiquei em polvorosa! Pesquisei e vi cenas da montagem em Londres. A atriz dava um show de performance. Que desafio de fazer um espetáculo digno de Miss Garland. E ainda tem o público que não a conhece ou reconhece a figura mas não conhece a história de vida dela.

Não faz mal. Peter Quilter escreveu uma peça bem amarrada, com personagens firmes no enredo e diálogos primorosos. As cenas de Judy são um turbilhão de emoções.

Igor Rickli faz Mickey Deans e defende o seu personagem enquanto muitos na plateia queriam vê-lo o mais longe possível de Judy. Ele nos tira de nosso lugar de julgadores e traz a dúvida. Talvez ele tenha feito por amor?

Gracindo Júnior foi a grande surpresa da noite. Não que seu talento e capacidade estivessem em questionamento. Mas não imaginei que num palco onde Judy Garland estivesse outro personagem poderia brilhar. O seu Anthony é lindo! A luz e a cor que a vida de Judy tanto precisava. O amor incondicional dos seus fãs estava ali naqueles gestos gentis, olhar sincero e taça de vinho tinto.

Claudia Netto. Seu nome deveria bastar. Escrever sobre a sua performance é difícil. Se usarmos todos os adjetivos que denominem a perfeição, ainda não seremos dignos de classificar o seu trabalho. Que entrega! Se jogar nessa cova dos leões é para quem pode. Interpretar Judy Garland não é tarefa fácil. E ela faz isso com uma força única. Seu corpo e sua voz desenham Dorothy, a Vicky Lester, a Hannah Brown ... a Frances Ethel Gumm. E sua redenção na canção final é a certeza de que estamos em frente a uma estrela (representada e representadora).

Charles Möeller e Claudio Botelho. Será que ainda há o que dizer sobre o que vocês fazem sobre um palco? Muito obrigado. É sempre um arrebatamento assistir ao que vocês fazem. E esse agradecimento vai também para toda a equipe de vocês. Cenógrafos, figurinistas, técnicos e aos músicos! Sempre de primeira qualidade e essenciais para o gênero.

E ficam os meus emocionado relato e fervorosa indicação. Siga a estrada de tijolos amarelos e corra para o Teatro Fashion Mall. Judy - O Fim do Arco-íris está em cartaz quinta às 18h – R$ 80,00 sexta às 21h30 – R$ 80,00 sábado às 21h, domingo às 20h – R$ 100,00 Temporada: 11 novembro de 2011 a 12 de fevereiro de 2012 Teatro Fashion Mall (21) 2422-9800/3322-2495, terça a domingo, das 15h às 20h.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um Violinista no Telhado


Ontem, quarta-feira, dia 18 de maio de 2011, assisti à pré-estreia de "Um Violinista no Telhado" no Teatro Oi Casa Grande.

O que vem das mãos da dupla Möeller/Botelho nós aprendemos a não temer. Só ansiar. Sempre que o anunciam o próximo trabalho, lá estou eu em busca de novidades; quase que diariamente. Saber que montariam "Um Violinista no Telhado" não foi diferente. Acompanhei cada informação, cada foto, cada boato, cada vídeo ... A data da estreia vinha chegando e meu coração batendo mais forte, ao ritmo da trilha de Jerry Bock e Sheldon Harnick.

Criei o hábito de me embeber da história de um musical antes de ir assistí-lo (até onde vão as minhas possibilidades, é claro): foi assim com Gypsy (ouvi as versões originais da Broadway, Londres e México, os revivals, assisti o filme com Rosalind Russel e o filme pra tv com Bette Midler, e por aí vai ...), com Nine (o filme de 2009) e tantos outros.
Com "Um Violinista ..." não poderia ser de outra maneira: reassisti o filme que já tinha assistido tantas vezes, busquei tudo o que pude sobre ele, li nos livros sobre a Broadway que tenho ... fui imergindo na belíssima história e na música que traz esse espetáculo.

E eis que sou abençoado por estar no lugar certo e na hora certa e ganho um ingresso para assistir à pré-estreia de "Um Violinista no Telhado". Ter a oportunidade de fazer parte da primeira plateia foi uma emoção à parte.

Pois bem, o que é José Mayer, gente? Como Tevye (seu personagem no musical) diz que vivendo na tradição o homem sabe quem é o que Deus espera que ele faça, Zé Mayer sabe quem é e o que o público espera que ele faça. O ator domina o palco e o público com toque de mestre. Somos o seu Deus e os seus fiéis. Inegável dizer que para o grande público a escolha dele para protagonista de um musical gerou surpresa. Mas que bela surpresa! Uma voz belíssima!

Soraya Ravenle compõe a sua Golda com uma verdade que nos faz amá-la e compreendê-la mesmo quando não concordamos com os seus posicionamentos. As meninas que fazem as três filhas mais velhas estão lindamente interpretadas por Rachel Rennhack, Malu Rodrigues (uma das vozes mais lindas do espetáculo) e Julia Bernat (que emociona com o seu olhar, vale a pena acompanhá-la em cena mesmo quando não faz parte da ação central).

Os outros atores (são mais de 40 em cena!) são de talento e profissionalismo indiscutível. Serei injusto com os outros mas irei destacar algumas alegrias particulares: Ada Chaseliov, Marya Bravo, Cristiana Pompeo e Kelzy Ecard. Mulheres que adoro ver no palco! E que show à parte é a cena do sonho de Tevye!!! Eu é que não me meto com Fruma Sarah ...

E para completar a fofolice da peça, que mimo o menino que fez o violinistinha!

Toda a equipe técnica está impecável: maquiagem, cenário, figurino, orquestra e efeitos especiais (UAU!).

As versões de Claudio Botelho traduzem todo o sentimento do espetáculo, em especial "Tradição", "Ah, Se Eu Fosse Rico", "O Sonho de Tevye", "Você Me Ama?", "Longe do Meu Lugar" e "Longe do Meu Lugar" ... ok ... todas, gente ... eu amo mesmo, fazer o quê?

A direção de Charles Möeller faz Anatevka parecer um lugar que todos conhecemos, mesmo que seja dentro de nós. E eu não queria mais sair de lá quando acabou. Lágrimas me acompanharam praticamente nas quase três horas de espetáculo. Passou tão rápido ... Mas meu trem partirá para essa vila muitas e muitas vezes. Voltarei à Anatevka quantas vezes eu puder!

Mas ... como nem tudo é perfeito, chegou a hora das ressalvas ... Fica a dica, produção do espetáculo: é ultra necessária a implantação de lenços de papel junto ao programa (que está lindo, aliás).

Mazel'Tov e corram para o teatro!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

#Sondheim 06 - Rose's Turn

Gypsy é para o teatro musical americano o que Hamlet é para o teatro inglês. Um dos maiores clássicos da Broadway (já adaptado para o cinema e para a televisão), possui na partitura de Jule Styne a quintessência da música americana (sabendo harmonizar o vaudeville e o burlesco) e na sempre perfeita letra de Stephem Sonheim temos as emoções calcadas na palavra, levando sempre o seu toque de acidez.

Baseado na autobiografia de Gypsy Rose Lee, famosa stripper americana, o musical conta a tragetória de Louise (futura Gypsy), desde sua infância, ao lado de sua irmã June (que depois se tornara atriz de cinema), lideradas pela mãe: Rose.

Rose's Turn, o tour de force do espetáculo, é a última canção e é cantada, claro, por Mamma Rose. Uma canção que exige do intérprete extrema consiência emotiva e uma voz potente. Muitas estrelas tiveram essa responsabilidade e deram o máximo de si em suas performances.

A estreia do espetáculo, em 1959, na Broadway, teve Ethel Merman (a grande belting americana) como Mamma Rose:


Rosalind Russel na mal-sucedida versão para o cinema de Gypsy, em 1962:


Angela Lansbury deu vida a Mamma Rose nos palcos londrinos nos anos 70 e depois o encenou na Broadway. Este é o úncio registro em vídeo de sua performance (Rose's turn é a terceira canção):


Tyne Daly, em 1989:


Bette Midler na versão para a TV, em 1993:


Bernadette Peters no revival na Broadway, em 2003:


e em um de seus shows, em 2009:


Patti LuPone, em 2008:


A versão feita para a série musical Glee, em 2010:


Liza Minnelli em um show seu, em 1981:

Em 2010, o Brasil teve a sua primeira montagem de Gypsy, com Totia Meireles no papel de Mamma Rose. Infelizmene não temos um registro dela em Rose's Turn - garanto que foi excepcional! - portanto deixo-os com ela e Eduardo Galvão (o Herbie, na peça) na versão de Claudio Botelho de Small World: Nós somos um casal.

domingo, 10 de outubro de 2010

Das Rheingold (O Ouro do Reno) - MET 2010

PERFEIÇÃO. Não há outra palavra que melhor descreva a montagem de Robert Lepage de Das Rheingold para o Metropolitan Opera House, em Nova York.

Esta ópera de Richard Wagner é a primeira de uma tetralogia (o ciclo do Anel dos Nibelungos). Conheça mais sobre as 4 óperas aqui.

Lepage irá montar todo o ciclo dentro das temporadas 2010-2011 e 2011-2012 do MET. A sua montagem é um estrondo! O mais impressionante é a estrutura cenográfica do palco.


Muitos artistas foram prestigiar a estreia em Nova York:


O MET teve uma ideia genial: enquanto a ópera é montada no palco, ela está sendo simultaneamente reproduzida em qualidade HD para cinemas em 45 países. Foi assim que tive a oportunidade de assistir tamanha proeza cênica! Ainda teremos mais:


Aqui, Lepage e o a único James Levine (completando 40 anos no MET) agradecendo os aplausos depois da estreia:


Está imperdível, não????

Que tal conhecer um pouco da música de Wagner nesta ópera? Veja abaixo uma condensação da ópera em forma de desenho animado. Aqui está sendo cantada em inglês:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Glitter and Be Gay

Da opereta Candide, esta canção é também conhecida como a Ária de Cunegonde (nome da personagem). É uma das mais difíceis árias para soprano-coloratura. Notas agudíssimas, stacattos e sustentações marcam os pontos altos da canção.

Após fugir de Westiphalia para sobreviver, Cunegonde se torna cortesã em Paris. Aqui ela canta a perda de sua honra e começa a se perguntar se não deveria parar de reclamar e aproveitar as jóias e a vida abastada que possui agora.

(aqui letra e a tradução)

Kristin Chenoweth


Natalie Dessay


Diana Damrau


Sumi Jo

domingo, 27 de junho de 2010

#Sondheim 05 - Send in the Clowns

Composta para o musical A Little Night Music, em 1973, Send in the Clowns é a canção mais conhecida de Stephen Sondheim. No musical, Desirré Armfelt é uma atriz que mexe com o coração de vários homens. Incluindo Frederik Egerman, para quem ela canta essa música.
Este papel rendeu a Glynis Johns e a Catherine Zeta-Jones o Tony Award de Melhor Atriz em um Musical (Glynis em 1973 e Catherine em 2010).
O musical é inspirado no filme Sorrisos de uma Noite de Verão (Sommarnattens Leende - 1955) de Ingmar Bergman.
Gravada pelos mais diversos artistas (incluindo brasileiros), esta belíssima música tem um lirismo único dentre as trilhas de musicais da Broadway.

Glynis Johns e Len Cariou recriam a cena de "Send in the Clowns", em um especial para TV, em 1982.


Judi Dench interpretou Desirré na montagem inglesa do musical, em 1996. Aqui ela canta Send in the Clowns num especial gravado em homenagem ao produtor Cameron Machintosh, em 1998.


Elizabeth Taylor na versão para o cinema de A Little Night Music, em 1977. Me desculpem, mas eu acho a voz dela cantando tão enjoadinha ...


Catherine Zeta-Jones na noite de entrega dos Tony Awards 2010.


Glenn Close interpreta a canção num concerto em homenagem a Stephen Sondheim, em 1993.


Barbra Streisand, no seu show beneficiente One Voice, em 1986.


Frank Sinatra canta a música à época da estreia do musical na Broadway. Mesmo cometendo pequenos erros na letra, sua interpretação é, ainda assim, relevante.


Sara Vaughan, em 1987. Magnífica interpretação!


Sumi Jo, uma cantora mais conhecida por seu trabalho no canto lírico, traz uma bela interpretação da música de Stephen Sondheim.


Renato Russo também gravou a música!


Julie Andrews, em uma apresentação do Tony Awards.


E aqui, num workshop numa escola de música em Londres, Sondheim ensina duas alunas como cantar Send in the Clows.

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe - na Broadway é mais de uma!

Quem disse que mãe só se tem uma?
Nesse dia das mães iremos conhecer algumas músicas que a Broadway já fez para as mães!

Don't Tell Mama - Cabaret
A personagem Sally Bowles pede que não contem à sua mãe que ela trabalha num cabaré.


Mamma Who Bore Me - Spring Awakening (O Despertar da Primavera
Garotas querem saber como chegaram ao mundo - de onde vêm os bebês.




If Mamma Was Married - Gypsy
Filhas sonham como seria a vida delas se sua mãe se casasse novamente.




Guarda La Luna - Nine
Mãe canta ao filho que sempre estará com ele assim como a lua está no céu.


Not While I'm Around - Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street (Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)
Menino de rua acolhido pela Mrs. Lovett canta à ela que nada de mal acontecerá enquanto ele estiver por perto.




No One is Alone - Into the Woods
Cinderela fala pra Chapeuzinho Vermelho que mesmo após a morte de sua mãe ela não estará sozinha.




Slipping Through My Fingers - Mamma Mia!
Mãe vendo a filha partir relembra os seus momentos juntas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Família Addams - O Musical

Em abril estreou na Broadway o mais novo musical com um pezinho no cemitério: TheAddams Family - The Musical. Com os conhecidos Nathan Lane e Bebe Neuwirth como os protagonistas Gomez e Morticia e uma história já conhecida e já amada não há o que dar errado, não é?

Será que teremos uma montagem brasileira em breve???

sábado, 1 de maio de 2010

#Sondheim 04 - You Gotta Get a Gimmick

No musical Gypsy há uma cena onde três experientes strippers contam à novata Louise o que é preciso para ser uma stripper e sucesso. Um dos números mais engraçados do espetáculo, You Gotta Get a Gimmick está sempre no top 10 de qualquer seleção das músicas de Stephen Sondheim.

Cena do filme Gypsy (EUA - 1962)


Hey, Mr. Producer (ING - 1998)


Lado a lado com Sondheim (BRA - 2005)


Royal Variety Performance no The Victoria Palace (ING - 2001)


Montagem brasileira de Gypsy (BRA - 2010)

terça-feira, 9 de março de 2010

Oui oui ... A França é aqui

Oui oui ... a França é aqui - a Revista do ano

Esse é o título do mais novo musical de revista que está no Teatro Maison de France no Rio de Janeiro. Estreou em 2009 e o sucesso foi tanto que o espetáculo voltou aos palcos cariocas com força total e grande brilho.

O elenco é espetacular. Todos merecem elogios: Gustavo Gasparani é um dos autores e está ótimo, arrancando gargalhadas como o Cristo Redentor e Henrique; Cristiano Gualda está perfeito como São Sebastião (Sebah, para os íntimos) e o inglês Mr. Reed; César Augusto é o menos destacado dos atores, mais por culpa dos seus personagens antagônicos; Gottscha arranca gargalhadas e emociona como Nega Tomásia e a cantora do Teatro; Ester Elias (que substitui Marya Bravo) tem uma voz privilegiada e interpreta com grande beleza Henriquetta e suas outras personagens; mas, mesmo com um elenco tão talentoso e harmoniosamente linkado, não há como negar que o grande destaque é Solange Badim no papel da Torre Eiffel. Solange encarna com perfeito humor a personalidade do francês e rouba a cena sempre que aparece em cena. Maravilhosa, hã!

Pois bem, para quem ainda não viu, é bom correr! Si tu vas a Rio, não perca!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Versão Brasileira

No início de 2010, os mestres do teatro musical carioca Charles Möeller e Cláudio Botelho nos presentearam com um espetáculo intimista e de imensa beleza: Versão Brasileira. Nele, Cláudio Botelho solta a voz cantando versões que fez das canções dos grandes compositores da Broadway como Cole Porter e Stephen Sondheim e ainda dos espetáculos com músicas brasileiras com Ópera do Malandro e 7 - o Musical.

Abertura: Dó-Ré-Mi / Vingativa


Losing My Mind


Malandro e Suburbano Coração


Let's Do It


So in Love


Na canção Let's Call the Whole Thing Off, de George e Ira Gershwin, Cláudio faz uma homenagem à sua amizade e parceria profissional com Charles Möeller. Pra ver a letra, clique aqui.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Into the Woods


Into the Woods é um espetáculo musical com letra e música de Stephen Sondheim e libreto de James Lapine. Inspirado no livro The Uses of Enchantment (Os usos do Encantamento), de Bruno Bettelheim, de 1976, o musical interliga os enredos de muitos contos de fadas dos Irmãos Grimm e vai além ao explorar as consequências dos desejos e questões dos personagens.

Os personagens principais vêm de histórias como Chapeuzinho Vermelho, João e o Pé de Feijão, Rapunzel e Cinderela, aliados a uma história mais original envolvendo um padeiro e sua esposa e a vontade deles de iniciar uma família, baseada na história orginal dos Irmãos Grimm sobre Rapunzel. O musical ainda inclui referências a muitos outros contos conhecidos.

No Ato I vemos o a busca de cada personagem (Cinderela, Chapeuzinho, o padeiro e sua esposa, João, a bruxa, ...) pelos seus desejos. Já o Ato II revela o que acontece depois que tais desejos foram saciados. Será que todos estão realmente "felizes para sempre"?



Aqui, o elenco de Into the Woods, se apresenta na noite de entrega do Tony Awards.

O espetáculo estreou no dia 04 de dezembro de 1986, no Old Globe Theatre, em San Diego, onde ficou por 50 apresentações.
No ano seguinte, em 05 de novembro de 1987, Into the Woods abria as cortinas do Martin Beck Theatre, na Broadway, ficando por 764 performances, até 03 de setembro de 1989. No elenco original da Broadway, nomes como Bernadette Peters, Joanna Gleason e Robert Westenberg, dirigidos pelo próprio James Lapine.


Alguns membros do elenco original da Broadway.

Na premiação do Tony Awards de 1988, Into the Woods saiu com os troféis de Melhor Atriz em Musical (Joanna Gleason), Melhor Libreto (James Lapine) e Melhor Partitura (música e letra de Stephen Sondheim). Pode parecer pouco, mas não é não. Principalmente ao descobrirmos que o grande concorrente de Into the Woods - e que acabou levando o prêmio de Melhor Musical - foi The Phantom of the Opera, de Andrew Lloyd Webber. Portanto, a vitória de Stephen Sondheim sobre a partitura de Lloyd Webber só evidencia a admiração dos votantes pela genialidade da música e, principalmente, das letras de Sondheim. Ele brinca com as palavras. É por isso que eu o considero o Chico Buarque americano.

Into the Woods teve sua estreia londrina em 25 de setembro de 1990, no Phoenix Theatre, ficando lá até 23 de fevereiro de 1991. A montagem original londrina foi dirigida por Richard Jones, e teve no elenco nomes como Clive Carter e Imelda Staunton. Ambos, Imelda e Clive, foram indicados ao Laurence Olivier Award (o equivalente ao Tony, em Londres), sendo que Imelda ganhou o prêmio de Melhor Atriz por sua performance como a esposa do padeiro.


Elenco original, de Londres, em um especial na TV.

Em 1991, o canal público da televisão americana exibiu a peça com o elenco original da Broadway.
Esse especial está disponível em dvd (no Brasil é muito difícil encontrar) ou para download em sites especializados.

Em 2002, Into the Woods voltava à Broadway num revival, dirigido novamente por James Lapine. No elenco, grandes nomes da Broadway como Vanessa Williams e Laura Benanti, e ainda Judi Dench (que gravou a voz para a Gigante). Esta montagem ganhou os Tony Awards de Melhor Revival de um Musical e Melhor Iluminação.


Elenco original do revival de 2002, no Tony Awards.

Into the Woods teve ainda um revival londrino em 2007, uma montagem catalã também em 2007 e ficará em cartaz de 05 agosto a 11 setembro de 2010 no The Regent 's Park Open Air Theatre (um teatro a céu aberto), em Londres.


Propaganda da montagem catalã de Into the Woods (Boscos Endins).

Uma versão cinematográfica do musical já foi comentada há tempos, mas, pelo visto, ainda não saiu do papel.

Muitas das canções de
Into the Woods viraram hits nos repertórios de artistas consagrados com Babra Streisand (amiga de Sondheim) e Johnny Mathis. Veja algumas dessas versões:

Barbra Streisand - Children Will Listen


Bernadette Peters - No One is Alone


Into the Woods chega ao Brasil pelas mãos da Master Produções Artísticas e Culturais. A estreia (ainda sem data marcada) deve ser em São Paulo, como os outros espetáculos trazidos pela Master. A direção do musical ficará por conta de Rubens Ewald Filho. Para saber mais sobre a produção brasileira, clique aqui.

Então, enquanto esperamos o musical chegar em terras tupiniquins, deixo aqui o link para download dos cds de diversas montagens de Into the Woods:

Elenco original da Broadway - 1987: download;
músicas excluídas da partitura final: download.

Elenco do revival da Broadway - 2002: download.

Elenco da montagem catalã - 2007: download.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

The Perfect Year

Do musical Sunset Boulevard (baseado no filme homônimo), com música de Andrew Lloyd Webber, a canção The Perfect Year se passa numa festa de Ano Novo que Norma Desmond prepara para ela e Joe Gillis, o seu único convidado.







Pudemos assistir acima três versões da mesma canção: a primeira com Patti LuPone, na versão original londrina. No segundo vídeo, com Elaine Page num especial de Andrew Lloyd Webber na China. E, no terceiro vídeo, uma gravação, sem conotação teatral, de Dina Caroll.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

NINE

Depois de muita cobrança e pouca ação, não havia mais como fugir de uma postagem em homenagem à NINE um musical da Broadway cuja adaptação para o cinema chega em nosso país no dia 29 de janeiro de 2010.

Para falar sobre NINE temos que relembrar o clássico 8 1/2 de Fellini (1963). No filme, Guido Anselmi (interpretado por Marcello Mastroianni) é um cineasta que tenta relaxar depois de seu mais recente sucesso, mas se sente pressionado por uma série de colaboradores em busca de mais trabalho. Em meio a uma crise criativa, sem idéias novas, ele relembra eventos importantes de sua vida e mulheres que amou e abandonou.
É sempre difícil falar sobre os filmes de Fellini, já que eles se encerram em si mesmo. Este diretor italiano é mestre em criar obras aparentemente sem trama, com quadros potencialmente desconexos e com personagens estilizadas - neste clima turbulento e confuso, Fellini faz transparecer suas preocupações vitais acerca do papel de uma obra de arte.

No palco, Guido Anselmi é agora Guido Contini. O novo Guido não só canta e dança. Guido Contini está sem ideias para o seu novo filme, sua esposa exige mais atenção ao casamento, mas as vozes das mulheres de sua vida passada e presente ecoam em sua cabeça. Será que Guido conseguirá salvar o seu filme, a sua carreira e o seu casamento?
Em 9 de maio de 1982, a Broadway abria as cortinas para a adaptação musical da obra-prima de Federico Fellini: NINE. O espetáculo trazia Raul Julia no papel de Guido Contini.

Maury Yeston (compositor e letrista do musical) diz que desde que assistiu 8 1/2 na adolescência sentiu que aquela era a sua história. E desde os seus 28 anos, por volta de 1973, Maury já vinha trabalhando no projeto. Em 1977 o roteiro começou a ser escrito por Mario Fratti, mas em 1982 Arthur Kopit deu uma lapidada no que Fratti tinha escrito e enfim nada mais impedia o sucesso. Foram 729 apresentações na Broadway da data de estréia até 04 de fevereiro de 1984 (10 anos antes de seu falecimento em decorrência de uma derrame).

Entrevista concedida por Raul Julia, em 1982, ao programa do canal WNBC Live to Five:

Fellini deu o título de 8 1/2 ao seu filme porque até aquele momento ele já havia dirigido 6 filmes de longa-metragem, 2 de curta-metragem e co-dirigido mais um filme (6 + 2 + 1/2 da co-direção), somando então 8 1/2. Yeston batizou o musical de NINE dando-nos dois motivos: primeiro, a idade do Guido quando criança na peça e, segundo, dizendo que adicionar música ao 8 1/2 de Fellini é como adicionar mais meio crédito.

Na premiação do Tony Awards de 1982 NINE saiu vencedor de 5 Tonys, incluindo Melhor Musical.

Kathi Moss (interpretando a prostituta Saraghina) canta Be Italian


NINE teve outras montagens (com cast & crew diferentes): em Londres foram duas montagens, uma em 1992 e outra (mais modesta) em 1996. Mas o país que fez a melhor montagem de NINE foi a Argentina, em 1998, que teve uma produção vencedora de diversos prêmios da ACE.

Em 21 de março de 2003 NINE voltava à Broadway em um revival. Nesta montagem, quem dava vida ao italiano Guido Contini é o espanhol Antonio Banderas. O elenco ainda estrelava Chita Rivera, uma lenda dos palcos novaiorquinos, no papel de Liliane La Fleur.

Num total de 283 performances, o musical é mais uma vez premiado com 2 Tony Awards: Melhor Revival de Musical e Melhor Atriz Coadjuvante de Musical para Jane Krakowsi.

Para baixar o cd do revival, clique aqui.
Para baixar o revival em vídeo, clique em cada parte: Parte 01 e Parte 02.

Antonio Banderas canta Guido's Song


No ano de 2007 surgiam rumores de que Rob Marshall (diretor de Chicago e de Memórias de uma Gueixa) iria adaptar NINE para o cinema. Depois de idas e vindas, de problemas para formar o elenco, ensaios e produção, NINE vem se mostrando candidato fácil para ganhar as grandes premiações como Oscar, Globo de Ouro, Bafta e SAG.
Também ... não é pra menos! O elenco conta com as estrelas vencedoras do Oscar Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench e Sofia Loren, com a indicada ao Oscar Kate Hudson e com a vencedora do Grammy Stacy Fergie Ferguson. Quer mais?





Depois de muito silêncio, aos poucos os produtores foram divulgando os trailers, as imagens ... As novas canções compostas por Maury Yeston especialmente para o filme (são elas: Cinema Italiano, Take it All e Guarda La Luna)...

Kate Hudson cantando Cinema Italiano


Marion Cotillard canta Take it All





Penélope Cruz canta A Call From the Vatican



Nicole Kidman canta Unusual Way


Fergie canta Be Italian


Agora só nos resta aguardar a estréia deste megafilme que, sem sombra de dúvidas, será um dos melhores musicais já feitos na história do cinema!